Descrito como “pornografia para mamães” pela imprensa internacional, “Fifty Shades of Grey” – lançado recentemente no Brasil com o título “Cinquenta Tons de Cinza”, pela editora Intrínseca – era um dos lançamentos editoriais mais aguardados do ano. Além de ter vendido mais de 10 milhões de cópias nos EUA, o livro emplacou na lista dos mais vendidos do New York Times e virou leitura obrigatória até para a mais recatada dona de casa norte-americana.
Como era de se esperar, o livro também gerou polêmica por conta do conteúdo erótico e foi proibido de circular em alguns lugares dos Estados Unidos.
Embora seja uma historinha romântica com todos os ingredientes do gênero, como a mocinha jovem e inocente envolvida com o homem poderoso, rico e ligeiramente 'perigoso', a trama é recheada de cenas de sexo sadomasoquista, descritas em detalhes sempre elegantes pela autora E. L. James.
Mas não é só de "Cinquenta Tons de Cinza" que vive a literatura erótica. Perguntamos para especialistas quais seriam as alternativas para quem quer apimentar suas leituras noturnas, veja as sugestões abaixo:
A Vida Sexual de Catherine Millet
Editora Objetiva
Autor: Catherine Millet
Por que ler: Uma respeitada crítica de arte francesa escancara sua vida sexual em livro. “Ela publicamente falava que aquilo era verdade”, diz Paulo Sérgio do Camo, e a obra gerou dúvidas se seria autobiográfica ou ficção. Afinal, ninguém desconfiava que uma mulher tão culta e elegante pudesse ter uma vida tão agitada entre os lençóis.
Quem recomenda: Paulo Sérgio do Carmo, professor universitário, sociólogo, mestre em filosofia e autor de “Entre a luxúria e o pudor: a história do sexo no Brasil”, da editora Octavo.
Ranking: nem pensar em ler no metrô, nem mesmo com o parceiro, esse é para ler sozinha.
Cem escovadas antes de ir para a cama
Editora Objetiva
Autor: Melissa Panarello
Por que ler: Traduzido para mais de 23 idiomas, o livro foi um escândalo quando lançado na Itália. Segundo Paulo Sérgio do Carmo, vale a pena ler pelo lado voyeur, descobrir a ousadia de uma garota mais liberada sexualmente. É que a obra é baseada nos diários sexuais da autora Melissa Panarello, na qual ela conta suas primeiras experiências sexuais.
Quem recomenda: Paulo Sérgio do Carmo, professor universitário, sociólogo, mestre em filosofia e autor de “Entre a luxúria e o pudor: a história do sexo no Brasil”, da editora Octavo.
Por que ler: Sob o pseudônimo Nedjma, a autora de origem árabe relata suas experiências mais pessoais. “É uma mulher oprimida, muçulmana que ousa contar suas fantasias sexuais”, comenta Paulo Sergio do Carmo.
Quem recomenda: Paulo Sérgio do Carmo, professor universitário, sociólogo, mestre em filosofia e autor de “Entre a luxúria e o pudor: a história do sexo no Brasil”, da editora Octavo.
Das Maravilhas e Prodígios Sexuais: a pornografia bizarra como entretenimento Editora Annablume
Autor: Jorge Leite Júnior
Por que ler: “Fifty Shades of Grey” fez fama por conta das cenas de sexo sadomasoquista descrita em detalhes. Paulo Sérgio recomenda “Das Maravilhas e Prodígios Sexuais: a pornografia bizarra como entretenimento”, pela visão sociológica: “É para se aprofundar mais no assunto. E é de um autor brasileiro”, diz.
Quem recomenda: Paulo Sérgio do Carmo, professor universitário, sociólogo, mestre em filosofia e autor de “Entre a luxúria e o pudor: a história do sexo no Brasil”, da editora Octavo
Ranking: apesar do nome e da capa, pode ler no parque ou no trem.
Por que ler: Foi um dos romances eróticos mais vendidos na Europa do século 18. “O livro conta as memórias de Teresa, que relata seus aprendizados sexuais e intelectuais”, conta Mariana. A autoria é um mistério, mas atualmente a história da libertina Teresa tem sido atribuída a Jean Baptiste de Boyer, o Marquês d’Argens, um distinto senhor que morreu em 1771, pouco antes da Revolução Francesa.
Quem recomenda: Mariana Teixeira, doutora em literatura pela USP, especializada em literatura libertina da França e da Inglaterra.
Por que ler: “Boa poesia desbocada. Romantismo vulgar”, diz Fabrício sobre o clássico da literatura erótica, escrito no século XVI e referência até hoje.
Quem recomenda: Fabrício Carpinejar, poeta, cronista e mestre em literatura brasileira. Está lançando seu mais novo livro, “Ai Meu Deus, Ai meu Jesus: Crônicas de amor e Sexo”, pela Bertrand Brasil.
Ranking: evite o metrô, mas convide seu parceiro para ler junto.
Por que ler: Outro clássico da literatura erótica, escrito na Idade Média, quando a expectativa de vida era baixa e fornicava-se muito: “Para quem tem fantasias religiosas. O italiano Boccaccio é incrível”, recomenda Carpinejar.
Quem recomenda: Fabrício Carpinejar, poeta, cronista e mestre em literatura brasileira. Está lançando seu mais novo livro, “Ai Meu Deus, Ai meu Jesus: Crônicas de Amor e Sexo”, pela Bertrand Brasil.
Ranking: faz o "Cinquenta Tons de Cinza' parecer literatura infantil, mas é um clássico, portanto, leia
sem constrangimento e convide seu parceiro para saborear essas aventuras sexuais com você.
Justine, Os Infortúnios da Virtude
Editora Iluminuras
Autor: Marquês de Sade
Por que vale a pena ler: Saga das irmãs Justine e Juliette, que vão bater de frente pelas personalidades discordantes, uma é cheia de virtudes enquanto a outra é libertina e cruel: “Destaco a seção sobre as virgens. Até para ofender temos que ter estilo”, diz o escritor.
Quem recomenda: Fabrício Carpinejar, poeta, cronista e mestre em literatura brasileira. Está lançando seu mais novo livro, “Ai Meu Deus, Ai meu Jesus: Crônicas de Amor e Sexo”, pela Bertrand Brasil.
Por que ler: O termo sadismo foi cunhado a partir do nome do Marquês de Sade, para descrever o prazer sexual ao causar dor no outro. “A narrativa trata do encontro de quatro pessoas durante o qual é exposto uma espécie de "catálogo" das 600 (ou mais) perversões que interessavam a Sade expor e discutir. Vale a pena ler para entrar no universo sadiano”, recomenda Mariana Teixeira. Orgias, submissão, escatologia e outras práticas sexuais, muitas inimagináveis, não faltam!
Quem recomenda: Mariana Teixeira, doutora em literatura pela USP, especializada em literatura libertina da França e da Inglaterra.
Ranking: leia em doses homeopáticas, a vida sexual, vista com os olhos do Marquês de Sade, não é para qualquer um.
Por que ler: Polêmico, o livro é narrado em primeira pessoa por uma menina de oito anos que vende o corpo incentivada pelos pais. “Suas aventuras e experiências sexuais são relatadas sem filtros”, comenta Mariana. Além disso, a obra é um “must read” por que: “Hilst é provavelmente a única autora brasileira que se aventurou no terreno da literatura erótica”.
Quem recomenda: Mariana Teixeira, doutora em literatura pela USP, especializada em literatura libertina da França e da Inglaterra.
Ranking: para ler sozinha e compartilhar apenas com amigos 'cult'
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